Transmissão da sessão registra manifestação verbal durante fala de vereadora; episódio abriu discussão sobre respeito institucional, ativismo social e conduta de agentes públicos
O que começou como uma discussão em torno da pauta da inclusão e da construção da Casa do Autista em Barreiras acabou se transformando em um dos episódios políticos mais repercutidos dos últimos dias no município.
A sessão da Câmara Municipal realizada nesta segunda-feira (18) passou a dominar debates nas redes sociais, bastidores políticos e grupos de discussão após o confronto verbal envolvendo a servidora pública municipal Cindy Souza dos Santos, presidente da Associação das Mães Autistas de Barreiras (AMAB), vereadores e o presidente da Câmara, Yuri Ramon.
Após o episódio, entidades ligadas à causa autista divulgaram uma nota pública afirmando que Cindy teria sido vítima de violência institucional, constrangimento público, silenciamento e retirada coercitiva do plenário durante manifestação em defesa da construção da Casa do Autista.
Entretanto, a análise integral da transmissão oficial da sessão feita pelo TV Web Barreiras aponta elementos que ampliam a complexidade do caso e levantam questionamentos sobre os limites das manifestações dentro do plenário da Câmara.
Durante a fala da vereadora Carmélia da Mata, vice-presidente da Casa Legislativa, a transmissão oficial registra uma manifestação verbal audível da servidora.
No áudio da sessão, é possível ouvir a expressão “que palhaçada” durante o discurso parlamentar.
Logo após a manifestação captada pelo sistema de áudio, o presidente da Câmara interrompe a sessão e solicita respeito aos vereadores e à condução dos trabalhos legislativos.
A partir desse momento, o clima no plenário se intensifica e novas manifestações verbais passam a ser registradas pela transmissão oficial, incluindo declarações direcionadas a vereadores.
Em entrevista concedida ao TV Web Barreiras, Cindy negou ter chamado qualquer vereadora de “palhaça”, afirmando que a expressão utilizada fazia referência ao contexto do debate sobre o atendimento voltado ao autismo no município.
A servidora também declarou que perdeu o controle emocional após a intervenção da Presidência da Câmara.
“Eu me desregulei totalmente”, afirmou durante conversa com a reportagem.
Cindy declarou possuir diagnóstico de autismo e TDAH e afirmou ter se sentido constrangida e emocionalmente pressionada durante a sessão.
O episódio, porém, também abriu uma discussão institucional sobre a conduta dentro do plenário e o dever de respeito às autoridades públicas durante as sessões legislativas.
O Regimento Interno da Câmara Municipal de Barreiras estabelece que manifestações nas galerias são permitidas, desde que não perturbem o andamento dos trabalhos legislativos. O texto também prevê que cidadãos presentes nas sessões devem respeitar os vereadores, obedecer às determinações da Mesa Diretora e não interpelar parlamentares durante o uso da palavra.
O mesmo regimento autoriza a Mesa Diretora a determinar a retirada de qualquer pessoa que descumpra essas regras internas.
A discussão também alcançou a condição funcional da servidora.
Durante entrevista ao TV Web Barreiras, Cindy afirmou que estava presente na Câmara como mãe atípica, mulher autista e representante da AMAB, sustentando que não se encontrava em horário de expediente.
A servidora é lotada na Secretaria Municipal de Saúde e declarou atuar cedida ao gabinete do prefeito Otoniel Teixeira.
Após a conclusão inicial da reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde encaminhou ao TV Web Barreiras o termo oficial de cessão da servidora ao gabinete do Executivo municipal.
O documento confirma formalmente a atuação de Cindy Souza dos Santos junto ao gabinete do prefeito.
Em abril deste ano, a Prefeitura de Barreiras publicou decreto estabelecendo novo horário de funcionamento das repartições públicas municipais, fixando atendimento contínuo das 8h às 18h, além de prever escalas e jornadas organizadas pelas chefias imediatas conforme a necessidade de cada setor.
A norma também atribui às chefias e secretarias a responsabilidade pela fiscalização do cumprimento das jornadas dos servidores.
O episódio passou a simbolizar uma discussão que vai além da sessão legislativa.
De um lado, movimentos ligados à inclusão defendem o direito à manifestação, o reconhecimento das neurodivergências e a necessidade de políticas públicas voltadas às famílias atípicas.
Do outro, o caso também trouxe à tona o debate sobre os limites institucionais dentro do plenário, o dever de respeito às autoridades públicas e a responsabilidade funcional de agentes públicos durante manifestações em espaços oficiais.
Autoridades públicas, independentemente de posicionamentos políticos, exercem funções institucionais que exigem respeito dentro dos ambientes oficiais. Da mesma forma, manifestações populares fazem parte do processo democrático, mas precisam ocorrer dentro dos limites legais e regimentais estabelecidos para garantir o funcionamento das instituições públicas.
A reportagem analisou integralmente a transmissão oficial da sessão e optou por não reproduzir os vídeos do episódio, evitando ampliar o conflito e priorizando a apuração técnica dos fatos.
Até o fechamento desta matéria, a Câmara Municipal de Barreiras não havia divulgado nota oficial sobre o caso.
O espaço segue aberto para manifestação da Presidência da Câmara, das vereadoras citadas, da Prefeitura de Barreiras e das entidades que assinam a nota pública.

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