Projeto enviado pelo prefeito Otoniel Teixeira prevê asfaltamento de bairros esquecidos, cobertura da feira da Vila Rica, conclusão do Hospital Municipal, construção da quarta ponte sobre o Rio Grande e obras na zona rural; Justiça já reconheceu capacidade financeira do município em operação anterior do FINISA.
Barreiras entrou oficialmente em um dos debates mais importantes dos últimos anos. O projeto que autoriza a Prefeitura a contratar até R$ 140 milhões em operação de crédito junto à Caixa Econômica Federal, através do programa FINISA, deixou de ser apenas uma pauta administrativa e passou a representar uma decisão direta sobre o futuro da cidade.
A proposta enviada pelo prefeito Otoniel Teixeira à Câmara Municipal reúne obras que há décadas aparecem em promessas, campanhas eleitorais, discursos políticos e cobranças populares, mas que nunca saíram completamente do papel.
Agora, a responsabilidade passou para o Legislativo.
A votação do Projeto de Lei nº 011/2026 poderá definir se Barreiras avançará em áreas consideradas críticas por moradores de diversos bairros e comunidades rurais. O texto prevê investimentos em pavimentação, drenagem, requalificação urbana, infraestrutura rural, equipamentos sociais, saúde pública e mobilidade.
Entre os pontos que mais chamam atenção está o asfaltamento de bairros historicamente esquecidos pelo poder público, como Morada Nobre, Buritis e Conquista.
No caso da Morada Nobre, o problema vai muito além da estética urbana. Em várias ruas, a realidade enfrentada diariamente pelos moradores envolve mato alto avançando sobre as vias, dificuldade de tráfego, poeira excessiva durante o período seco, lama em épocas de chuva e risco constante causado por animais peçonhentos.
Há trechos em que veículos praticamente disputam espaço para passar. Em determinadas ruas, o mato toma conta das laterais e reduz a área de circulação. Moradores convivem com buracos profundos, dificuldades de acesso e sensação permanente de abandono.
Durante períodos chuvosos, a situação piora. O acúmulo de água, a falta de drenagem adequada e o crescimento do mato aumentam o aparecimento de cobras, escorpiões e insetos. Já na seca, a poeira se transforma em um problema diário para famílias inteiras, especialmente idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios.
O contraste chama atenção porque o bairro carrega no nome a palavra “Nobre”, mas parte significativa da população enfrenta problemas básicos de infraestrutura há muitos anos.
A inclusão do bairro dentro do novo pacote de obras reacende uma expectativa antiga da comunidade.
Outro ponto de forte impacto popular é a cobertura da feira livre da Vila Rica. A demanda atravessa gestões e já foi prometida diversas vezes ao longo dos anos. Feirantes e consumidores enfrentam sol intenso, chuva, calor excessivo e dificuldades estruturais em um espaço que movimenta diariamente a economia popular da cidade.
A proposta também prevê investimentos no Centro de Abastecimento de Barreiras, melhorias no escoamento pluvial e requalificação de espaços públicos.
Na área da saúde, um dos projetos considerados mais estratégicos é a conclusão do Hospital Municipal Edsonina Neves.
Barreiras possui o Hospital do Oeste como referência regional, mas a unidade pertence ao Estado e atende pacientes de dezenas de municípios. A consequência é uma pressão constante sobre o sistema de regulação, filas e alta demanda regional.
A conclusão de um hospital municipal é vista por muitos setores como uma possibilidade real de ampliar a capacidade de atendimento local e reduzir gargalos históricos da saúde pública.
Outro trecho considerado estratégico dentro do projeto é a construção da chamada quarta ponte sobre o Rio Grande, ligando a região central de Barreiras à área da UFOB. A obra é tratada há anos como uma das intervenções mais importantes para mobilidade urbana da cidade e voltou ao centro do debate com a inclusão no pacote de investimentos enviado à Câmara.
A chamada quarta ponte é vista como uma alternativa importante para desafogar o trânsito, ampliar a integração entre regiões da cidade e acompanhar o crescimento urbano de Barreiras, que nos últimos anos expandiu significativamente sua malha habitacional e universitária.
Na zona rural, o plano inclui pavimentação e melhorias em regiões como Rio Branco, Nanica, Angélica Ayres, Projeto Barreiras Norte e Barrocão de Cima.
O texto enviado à Câmara afirma que os investimentos podem facilitar o escoamento da produção agrícola, garantir trafegabilidade segura e fortalecer o desenvolvimento econômico de comunidades afastadas da área urbana.
O projeto também prevê a construção da Casa do Autista, estrutura voltada ao acolhimento e atendimento especializado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, além de um espaço próprio para o Programa Idade Viva e a implantação do Centro de Tradições Nordestinas.
A justificativa apresentada pelo Executivo afirma que a operação respeita integralmente a Lei de Responsabilidade Fiscal e as resoluções do Senado Federal.
A proposta chega à Câmara em um cenário diferente do que ocorreu em 2024, quando uma operação anterior de R$ 60 milhões virou alvo de ação popular movida pelas então vereadoras Carmélia Carvalho de Souza e Izabel Rosa de Oliveira dos Santos.
Na ocasião, a contratação foi questionada judicialmente sob alegações de possível desequilíbrio fiscal e supostas irregularidades no processo legislativo.
O caso foi analisado pela 1ª Vara de Fazenda Pública de Barreiras no processo nº 8003539-14.2024.8.05.0022.
Em sentença assinada no dia 23 de março de 2026, o juiz Maurício Alvares Barra julgou improcedentes os pedidos formulados na ação popular e reconheceu, com base em perícia contábil judicial, que o Município de Barreiras possuía capacidade financeira para contratação da operação de crédito.
A decisão destacou que o município atendia aos limites legais de endividamento, respeitava a Lei de Responsabilidade Fiscal e possuía capacidade de pagamento classificada como CAPAG “B”.
O laudo técnico citado na sentença apontou ainda que o município apresentava situação fiscal considerada segura para contratação do financiamento.
O próprio magistrado ressaltou na decisão que não havia comprovação de lesão ao patrimônio público, insolvência financeira ou ilegalidade capaz de impedir a operação.
Agora, porém, o novo projeto possui dimensão maior. O valor solicitado chega a até R$ 140 milhões.
Isso amplia ainda mais a responsabilidade da Câmara Municipal.
A partir deste momento, os vereadores passam a ter papel central em uma decisão que pode redefinir prioridades urbanas, sociais e estruturais de Barreiras pelos próximos anos.
O debate deixou de ser apenas político. Ele passa diretamente pela realidade da população.
Quem mora em bairros sem pavimentação adequada sente diariamente o peso da falta de infraestrutura. Quem depende da saúde pública conhece as dificuldades da rede. Quem vive da feira livre entende a necessidade de melhorias estruturais. Quem mora na zona rural sabe o impacto de estradas precárias para produção, transporte e segurança.
Por isso, o projeto começa a ganhar pressão popular.
A expectativa agora é sobre como a Câmara irá conduzir a votação de uma proposta que envolve obras aguardadas há décadas por diferentes regiões da cidade.
O Legislativo possui papel constitucional de fiscalização e controle. Isso significa que, caso o projeto seja aprovado, os vereadores continuarão responsáveis por acompanhar contratos, execução das obras, aplicação dos recursos e cumprimento do plano apresentado.
A discussão, portanto, não se resume a autorizar um empréstimo.
O que está em jogo é a possibilidade de transformar demandas históricas da população em obras concretas.
Barreiras chegou a um ponto em que parte da cidade cobra não apenas anúncios, mas execução.
E a decisão agora está oficialmente nas mãos da Câmara Municipal.


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