Vereador de Barreiras repercute Atlas da Violência 2026 e chama atenção para contraste entre queda recente e aumento de 6,4% na taxa de homicídios de jovens baianos na comparação de 2014 com 2024
A Bahia chegou a 2024 com a segunda maior taxa de homicídios de jovens do Brasil. O dado, apresentado pelo Atlas da Violência 2026, foi repercutido pelo vereador de Barreiras Rider Castro, que usou as redes sociais para cobrar uma resposta do Governo do Estado diante dos índices de violência que atingem a população entre 15 e 29 anos.
O levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que a Bahia registrou 101,8 homicídios para cada 100 mil jovens em 2024. O índice é o segundo maior entre todas as unidades da Federação, atrás apenas do Amapá, que chegou a 114,7.
A diferença em relação ao cenário nacional é expressiva. No Brasil, a taxa foi de 42,2 homicídios por 100 mil jovens no mesmo ano. Isso significa que o indicador baiano corresponde a cerca de 2,4 vezes a média brasileira.
Em números absolutos, a Bahia também concentrou o maior número de jovens assassinados no país em 2024: foram 3.440 vítimas, contra 3.892 no ano anterior, uma redução de 11,6% na quantidade de mortes.
Rider reconhece redução recente, mas chama atenção para uma década
Ao comentar os dados, Rider Castro começou reconhecendo a melhora observada de 2023 para 2024. Segundo o vereador, a taxa de homicídios de jovens no estado apresentou redução de 11,8% no período.
“Redução importante, e precisa ser dita”, escreveu.
A principal crítica apresentada pelo parlamentar, no entanto, está na comparação de longo prazo.
Entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios de jovens caiu 33,9% no Brasil. As maiores reduções ocorreram no Distrito Federal, com 79,6%, em Goiás, com 67,8%, e em São Paulo, com 58%.
A Bahia percorreu o caminho contrário.
No mesmo intervalo de dez anos, o estado apresentou aumento de 6,4% na taxa de homicídios de jovens. O indicador passou de 95,7 mortes por 100 mil jovens em 2014 para 101,8 em 2024.
É esse contraste que Rider utiliza para sustentar a cobrança.
“Uma década inteira em que o país aprendeu a proteger sua juventude. E a Bahia terminou pior do que começou”, afirmou o vereador.
Bahia fica atrás apenas do Amapá
O tamanho do problema aparece com maior clareza quando a Bahia é colocada ao lado das demais unidades da Federação.
Em 2024, o Amapá liderou o ranking, com taxa de 114,7 homicídios por 100 mil jovens. A Bahia apareceu em segundo lugar, com 101,8, seguida por Pernambuco, com 84,6.
Na outra ponta, São Paulo registrou a menor taxa do país, com 10,7 homicídios por 100 mil jovens, seguido pelo Distrito Federal, com 12,6, e Santa Catarina, com 12,7.
A comparação mostra que a taxa registrada entre os jovens baianos foi aproximadamente 9,5 vezes a de São Paulo em 2024.
O cenário baiano também contrasta com a tendência nacional da última década. Enquanto o Brasil conseguiu reduzir em um terço a taxa de homicídios entre pessoas de 15 a 29 anos, a Bahia terminou o período com indicador superior ao registrado dez anos antes.
Quase metade das vítimas de homicídio no país são jovens
O problema vai além da comparação entre estados.
Segundo o Atlas da Violência, 19.801 jovens entre 15 e 29 anos foram assassinados no Brasil somente em 2024. Ao longo da década, entre 2014 e 2024, foram 301.825 mortes, média de aproximadamente 75 jovens assassinados por dia.
Os jovens representaram 46,5% das vítimas de homicídio do país nesse período analisado pelo estudo.
Outro indicador destacado por Rider Castro diz respeito ao uso de armas de fogo. O Atlas mostra que, entre adolescentes de 15 a 19 anos, as armas de fogo foram utilizadas em 84,1% dos homicídios registrados em 2024.
Os dados revelam ainda uma violência letal fortemente concentrada entre homens jovens. Dos 19.801 jovens assassinados em 2024, 18.545 eram homens.
Vereador destaca impacto sobre população negra
Rider Castro também chamou atenção para o recorte racial apresentado pelo Atlas e relacionou o problema à realidade demográfica da Bahia.
Em sua manifestação, o vereador destacou que a violência homicida atinge de maneira desproporcional a população negra e defendeu que esse componente seja considerado na formulação das políticas públicas.
O próprio Atlas da Violência trabalha a letalidade a partir de diferentes recortes, entre eles raça, gênero, idade e território, buscando demonstrar como a violência não se distribui de maneira uniforme entre os diferentes grupos da população brasileira.
Para Rider, os números assumem peso ainda maior em um estado com forte presença da população negra.
Cobrança ao Governo da Bahia
Ao levar os números para suas redes sociais, Rider Castro direcionou a cobrança ao Governo da Bahia.
“Segurança pública é responsabilidade direta do governo do estado”, escreveu o vereador.
A afirmação coloca o debate estadual dentro da agenda política de Barreiras. Embora Rider exerça mandato no Legislativo municipal, a manifestação trata de uma área cuja organização das polícias Civil e Militar está constitucionalmente vinculada aos estados.
O Atlas, porém, também aponta que as diferenças regionais da violência possuem causas mais amplas. Segundo a análise apresentada pelo estudo, desigualdades territoriais, condições socioeconômicas, capacidade institucional, dinâmica demográfica, presença de organizações criminosas e disputas territoriais estão entre os fatores associados aos diferentes níveis de violência encontrados no país.
Melhora recente não elimina desafio histórico
Os próprios números permitem duas leituras que não são excludentes.
A primeira é que houve melhora recente. A Bahia reduziu de 3.892 para 3.440 o número de jovens assassinados entre 2023 e 2024.
A segunda aparece quando o horizonte é ampliado: em dez anos, enquanto o Brasil reduziu em 33,9% sua taxa de homicídios de jovens, a Bahia registrou aumento de 6,4% e chegou a 2024 com a segunda maior taxa do país.
Foi justamente essa diferença entre o resultado recente e a trajetória de longo prazo que Rider Castro colocou no centro de sua manifestação.
Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado em maio pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A edição utiliza principalmente informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde.
Tiago Portela
DRT 0889 | Jornalista Responsável
Filiação: Sinjorba | Fenaj
Portal TV Web Barreiras | Você conectado à notícia

Postar um comentário
Os comentários publicados são de total responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Blog TV Web Barreiras. Não são permitidos comentários que desrespeitem a legislação vigente, a moral, os bons costumes ou que infrinjam direitos de terceiros. O Blog TV Web Barreiras se reserva o direito de remover, sem aviso prévio, qualquer comentário que não atenda a essas diretrizes ou que esteja fora do contexto da discussão. Comentários anônimos ou sem identificação também poderão ser excluídos.