O Brasil voltou a figurar entre os países com maiores índices de mortes violentas de pessoas LGBT+. Dados consolidados no relatório anual do Grupo Gay da Bahia apontam que 257 vidas foram interrompidas em 2025 em decorrência de diferentes formas de violência. Na prática, isso significa que, ao longo do ano, uma pessoa LGBT+ morreu de forma violenta a cada 34 horas no país.
O levantamento reúne casos noticiados pela imprensa, registros em redes sociais, denúncias diretas e monitoramento contínuo feito pela entidade, que há décadas acompanha esse tipo de ocorrência no Brasil. O retrato apresentado mantém o país em uma posição preocupante no cenário internacional.
Entre as mortes contabilizadas, a maioria está relacionada a homicídios. Ao todo, foram registrados 204 assassinatos ao longo do ano. O relatório também aponta 20 casos de suicídio, 17 ocorrências de latrocínio e 16 mortes classificadas em outras circunstâncias violentas, como atropelamentos e afogamentos associados a contextos de agressão.
Em relação ao ano anterior, quando foram contabilizadas 291 mortes, houve uma redução de 11,7%. O dado, no entanto, não é interpretado como sinal de segurança ou avanço estrutural. Especialistas destacam que a diminuição numérica não altera o quadro de vulnerabilidade enfrentado por essa população, nem reduz o impacto social das ocorrências.
Cada registro representa uma história interrompida e famílias afetadas de forma permanente. O relatório reforça que a violência segue presente de maneira contínua, mesmo quando os números absolutos apresentam oscilações anuais.
A comparação internacional amplia o alerta. Enquanto o Brasil soma centenas de mortes, outros países com grandes populações apresentam números significativamente menores. O contraste evidencia falhas persistentes nas políticas públicas de prevenção, investigação e enfrentamento da violência motivada por preconceito.
Outro ponto central do relatório é a subnotificação. A ausência de um sistema oficial e padronizado para registrar crimes de ódio faz com que muitos casos não entrem em estatísticas governamentais. Segundo a entidade, os números divulgados representam apenas uma parte da realidade, já que muitos episódios não são registrados ou não chegam ao conhecimento público.
A análise aponta que a falta de dados oficiais compromete a formulação de políticas públicas eficazes e dificulta a atuação do poder público na prevenção desse tipo de violência. Sem registros consistentes, o problema permanece invisível em grande parte das estatísticas oficiais.
O relatório de 2025 reforça a necessidade de ações estruturais, com políticas permanentes de proteção, educação para a diversidade e mecanismos claros de combate à violência motivada por LGBTfobia. A leitura dos dados indica que, mesmo com variações anuais, o desafio segue presente e exige respostas contínuas do Estado e da sociedade.

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