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OPERADORA OI SAI COM IMAGEM ARRANHADA

A solução costurada pelos controladores da Oi minimiza, mas não elimina os impactos negativos do episódio entre Portugal Telecom e Rioforte. A operadora brasileira sai com a imagem arranhada em termos de governança e vê frustrado o objetivo da capitalização realizada em abril: aumentar sua capacidade financeira e de investimento no setor de telecomunicações.

O mercado recebeu bem a proposta de redução da participação da PT na CorpCo, empresa que nascerá da fusão entre as operadoras. Ao devolver os títulos podres da Rioforte para a tele portuguesa, em troca de ações da Oi, a brasileira fica blindada caso o calote da Rioforte não seja revertido.
O lado negativo é que o dinheiro injetado pelos portugueses na companhia brasileira cai de R$ 5,7 bilhões para cerca de R$ 3 bilhões. A redução elevará a dívida da operadora, o que pode limitar sua capacidade de pedir novos empréstimos e investir. Analistas calculam que a dívida líquida da CorpCo passará de R$ 42 bilhões para R$ 45 bilhões.
Os reflexos já apareceram. Nesta quarta-feira, 16, a Fitch rebaixou a classificação de risco de crédito da Oi - ou seja, a agência acredita que a capacidade da empresa honrar suas dívidas diminuiu. Em relatório, o banco UBS destacou os riscos de governança maiores do que a média do setor.
A reportagem apurou que, dentro da Oi, a visão é de que o prazo da dívida é longo e a companhia tem liquidez. O foco agora é obter resultados com as sinergias, ganhando escala e focando em melhorias operacionais.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reafirmou ontem que a fusão segue em análise. Até aqui, porém, não há um processo que possa levar à punição de administradores ou dos controladores do grupo. A permuta de ações entre Oi e PT terá de passar pelo crivo da CVM.
Um acionista minoritário da Oi diz que houve "um estrago" na imagem da companhia e dos envolvidos na fusão. Para outro acionista, caíram por terra as promessas feitas aos investidores que participaram do aumento de capital, como a melhora da governança da operadora e a melhora financeira. Uma participação da Oi em um eventual fatiamento da TIM é tida como carta fora do baralho.
A oferta de ações realizada em abril levantou quase R$ 14 bilhões considerando dinheiro e incorporação de ativos, mas restará bem menos no bolso da Oi. A operação eliminou uma dívida de mais de R$ 4 bilhões dos controladores brasileiros da Oi. Agora há a redução da fatia injetada pela PT.
"A empresa corre o risco de quebrar com uma dívida bilionária. O dinheiro levantado com a capitalização foi usado para pagar a dívida da holding e outros R$ 2,7 bilhões sumiram com a operação PT/ Rioforte", diz uma fonte. O risco de investidores, em especial estrangeiros, buscarem ressarcimento não está afastado. 

Fonte: Exame

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