83,9 milhões inadimplentes e 38,49% dos baianos no Bolsa Família: Dicíola cobra emprego e educação

Vereadora leva números nacionais à Câmara de Barreiras e defende que políticas de transferência de renda caminhem ao lado de qualificação, geração de trabalho e oportunidades de ascensão social


O Brasil chegou a 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, o maior contingente já registrado pela Serasa. Na Bahia, outro número chama atenção: 5,72 milhões de pessoas estavam incluídas no Bolsa Família em maio, o equivalente a 38,49% da população do estado. Os dois indicadores foram levados ao debate político pela vereadora Dicíola Figueirêdo, durante pronunciamento na Câmara Municipal de Barreiras nesta segunda-feira (21).

Ao tratar do endividamento, Dicíola questionou as condições econômicas enfrentadas pelas famílias brasileiras e relacionou o crescimento da inadimplência à necessidade de políticas que ampliem renda e oportunidades.

Os dados mais recentes da Serasa mostram que o país encerrou agosto com 83,98 milhões de consumidores negativados. Depois de 20 meses consecutivos de alta, o número alcançou o maior patamar da série histórica, ainda que o ritmo de crescimento tenha desacelerado no último mês.

Quase quatro em cada dez baianos

Na Bahia, os dados oficiais também ajudam a dimensionar a discussão apresentada pela parlamentar.

Boletim da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado, elaborado a partir das bases do Governo Federal, registrou 2.367.632 famílias beneficiárias do Bolsa Família em maio, reunindo 5.723.993 pessoas, ou 38,49% da população baiana. Somente naquele mês, os repasses chegaram a aproximadamente R$ 1,57 bilhão.

Dicíola deixou claro no plenário que sua crítica não é à existência do benefício. O ponto defendido por ela é que a transferência de renda precisa estar acompanhada de políticas capazes de ampliar a independência econômica das famílias.

“O Bolsa Família tem que ser acompanhado de programas, projetos e políticas públicas que façam com que aquela pessoa melhore de vida.”

A vereadora citou educação, formação profissional, geração de emprego e renda como caminhos para ampliar a mobilidade social e permitir que famílias em situação de vulnerabilidade tenham novas perspectivas.

Educação entra no centro da cobrança

Na parte final do pronunciamento, Dicíola voltou a atenção para a educação básica. Para ela, ampliar acesso à escola não basta se a estrutura oferecida aos estudantes não vier acompanhada de qualidade, valorização dos professores e condições efetivas de aprendizagem.

A parlamentar também questionou o momento político em que foi anunciado o reajuste do Bolsa Família, que passará a ter valor mínimo de R$ 691 a partir de outubro. Dicíola relacionou o anúncio à proximidade das eleições e voltou a defender políticas de longo prazo voltadas à emancipação econômica da população. A atualização dos valores foi formalizada neste mês e entra em vigor na folha de outubro.

Hoje, o Bolsa Família atende 19,29 milhões de famílias em todo o país, segundo os dados oficiais de setembro.

Ao levar os números para a tribuna, Dicíola colocou no debate uma questão que ultrapassa Barreiras: como conciliar proteção social para quem precisa agora com políticas capazes de gerar renda, qualificação e oportunidades para o futuro.

Para a vereadora, essa resposta passa necessariamente por educação, emprego e desenvolvimento econômico.

Da redação Tv Web Barreiras


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